CENA #3: O que esperar da nova temporada de GIRLS?

No último domingo foi ao ar o primeiro episódio da quinta temporada de GIRLS. Pensei em esperar mais alguns episódios sair, pois não gosto de ficar esperando.

Bateu o medo de spoiler e acabei assistindo o episódio no dia. Sou fã da série, mesmo reconhecendo que o roteiro tem MUITAS falhas. Algumas dessas falhas se repetiram no primeiro episódio, e acabei me decepcionando um pouco.

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ALERTA DE SPOILER

Não leia se não quiser saber o que aconteceu nas temporadas anteriores e nesse primeiro episódio. Leia depois!

                Confesso que pensei que Marnie não se casaria: no último episódio da quarta seu noivo não aparece para a apresentação que fariam. Daí ela já deveria ter considerado que ele não é alguém de confiança. Fora isso, vale lembrar que ele traiu sua antiga namorada (com a própria Marnie). Ele só resolveu assumir algo sério quando sua namorada terminou o relacionamento.

Todos percebem que Marnie está cometendo um erro. Todos, porém, ninguém pergunta a ela se tem certeza de sua decisão.

Além disso, Hannah foi julgada como egoísta por alguns internautas. Hannah chega a comentar no episódio que Marnie mal o conhece – mesmo que tenha sido para seu atual namorado.

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O que foi particularmente cansativo nesse episódio? Na minha opinião, assim como em muitos outros episódios da série, foi o foco excessivo em relacionamentos. Reconheço que não tem como escapar do tema em um episódio como Wedding Day, mas não foi apenas Marnie que refletiu sobre isso. Também tivemos que ver Adam e Jessa flertando (e se beijando) para depois sentir culpa. Já dá para perceber que isso vai ser um dos focos da temporada. Rey também estava sofrendo por amar Marnie, mas essa parte até foi perdoável. Só achei um tanto exagerado ele ficar questionando se o atual namorado de Hannah realmente quer construir algo com ela.

Vale lembrar que Jessa se casou no fim da primeira temporada e tudo se resumiu a: desastre.

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Enfim, como uma mulher de vinte e poucos anos, gostaria que a série não focasse exclusivamente em relacionamentos. Claro que a série já abordou dúvidas que as mulheres sentem no início de suas carreiras. Por exemplo, quando Hannah decide sair da GQ Magazine e quando Shoshanna decide trabalhar no Japão. Porém, comparando com o tópico “relacionamentos”, esses temas foram ofuscados.

Gostaria de ver mais conflitos familiares também. Acredito que a família de Hannah aparecerá mais, já que seu pai assumiu ser gay na última temporada.

Eu realmente espero que essa temporada foque no amadurecimento individual dessas meninas, independente de se relacionarem com um homem ou não.

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CENA #1: 5 filmes sobre amadurecimento!

Amadurecer nunca vai ser um processo simples, já sabemos. Da infância para a adolescência temos que lidar com hormônios – e daí já pensamos ser o fim do mundo. Da adolescência para o início da vida adulta somos forçados a tomar decisões importantes, como o curso da graduação. Além disso, lidamos com a separação de amigos, o que não costuma ser tão fácil.

Parece que a maioria dos filmes de amadurecimento retrata essas duas fases (principalmente a segunda). Parece até que são os dois únicos momentos de crescer e que a partir dos 18 seremos seguros em tomar decisões. Isso sem falar da falsa ideia de que os jovens adultos terão uma vida estável.

Felizmente, existem bons filmes sobre essa fase. Filmes que podem motivar a nós, que passamos por situações semelhantes, ou até mesmo arrancar algumas risadas de quem já passou por isso. Não vou me esquecer de quem é mais novo, que pode se preparar para um futuro não tão distante.

1 – Frances Ha, Noah Baumbach (2012) 

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Vou abrir a lista com esta comédia, que hoje é um dos meus filmes favoritos. Frances (Greta Gerwig) é uma mulher de 27 anos que divide apartamento com sua melhor amiga, Sophie (Mickey Sumner). Logo após recusar morar junto com seu namorado, recebe a notícia que Sophie irá morar com outra garota. A partir desse ponto, Frances precisa se virar para manter tudo sob controle, mudando-se para o apartamento dos amigos Lev (Adam Driver) e Benji (Michael Zegen).

Ao longo do filme Frances passa por maiores dificuldades, como perder o emprego. A sua amizade com Sophie também é testada em vários momentos.

O filme é interessante por mostrar o quão solitário pode ser o amadurecimento. Mesmo em passagens que Frances está com os amigos ou parentes fica a impressão de que ela está totalmente deslocada. O filme mostra que mesmo seus melhores amigos não estarão tão próximos quando as coisas dificultarem – e isso não quer dizer que não sejam seus amigos!

 

2 – Mistress America, Noah Baumbach (2015)

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Mais um filme do diretor Baumbach e a atriz Greta Gerwig. O filme conta a história de Tracy (Lola Kirke), uma garota de 18 anos que acabou de se mudar para Nova York. Tracy ainda é caloura na universidade e não tem muitos amigos. Sua mãe sugere que ela vá conhecer a filha do homem com quem irá se casar, assim já poderiam ter algum contato. A filha é Brooke (Greta Gerwig), de 30 anos.

Tracy combina um encontro com Brooke e fica encantada com sua pessoa. Mesmo sendo mais velha, é uma pessoa cheia de sonhos e projetos que vão de linhas de roupa a um pequeno restaurante. Brooke acaba servindo de inspiração para contos que Tracy escreve – o que vem a ser um problema depois.

O filme se torna interessante por mostrar como Tracy idealiza os 30 anos de sua “nova irmã”. Ela fica um tanto chocada com a vida instável que Brooke leva. Por outro lado, a personagem de Gerwig pensa que a juventude não é uma época para ter crises, apenas se divertir. Com as duas protagonistas sem muito sucesso em seus projetos pessoais, o filme mostra como a vida não será fácil em nenhum estágio.

 

3 – Enquanto Somos Jovens, Noah Baumbach (2014)

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Tudo bem, confesso que sou muito fã do diretor e vai ser a última vez que menciono algo dele (nesta lista)!

O filme, diferente dos outros da lista, tem como protagonistas um casal na faixa dos 40. Eles são Josh (Bem Stiller) e Cornelia (Naomi Watts). Josh é professor universitário e tenta fazer sucesso como documentarista, mas os poucos projetos que concluiu nem chegaram perto do reconhecimento. Sua esposa trabalha como diretora, também sem grandes produções.

Após uma aula, Josh conhece o jovem casal Jamie (Adam Driver) e Darby (Amanda Seyfried). Os dois conhecem muito bem seus documentários e Jamie até faz alguns filmes caseiros. Em algum tempo, os casais se tornam amigos próximos.

Josh e Cornelia começam a se sentir deslocados no seu antigo círculo de amigos, preferindo experimentar o que o jovem casal faz: andar de bicicleta, praticar aulas de dança e beber santo daime, por exemplo.

O filme joga muito com algumas incoerências. Por exemplo, Josh e Cordelia são ligados à mais nova tecnologia, enquanto Jamie e Darby preferem livros de papel e discos long play.

 

4 – Oh, Boy!, Jan-Ole Gerster (2012)

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Conhecido também como A Coffee In Berlin, a comédia alemã é sobre Niko (Tom Schilling), um jovem que acabou de largar o curso de Direito. Na primeira cena, Niko acorda e tem uma discussão com a namorada. Ao longo do dia, ele é constrangido pelo próprio psicólogo, respondendo a perguntas do “Teste da Idiotice”.

Quando resolve tomar um café, Niko precisa sacar dinheiro e descobre que sua conta foi bloqueada. Ainda sustentado pelo pai, Niko resolve encontra-lo e recebe a notícia de que não receberá mais ajuda financeira.

Infelizmente, o filme passou em apenas alguns festivais de cultura alemã (isso em São Paulo). Não tenho certeza se existem cópias do filme no Brasil, mas é possível baixar com legendas em inglês.

 

5 – Beijos Proibidos, François Truffaut (1968)

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Um clássico para fechar a lista! O filme é o segundo da Saga de Antoine Doinel, que acompanhou o personagem de Jean-Pierre Léaud dos seus 15 anos até os 30.

Esse filme retrata o personagem aos vinte e poucos anos. Logo no início ele é expulso do exército. Antoine é atrapalhado em tudo o que faz, passando por diversas demissões ao longo do filme. Com as mulheres ele não consegue fazer tanto sucesso também, ficando solitário a maior parte do tempo.

Engraçado e comovente, vemos que não é de agora que é tão difícil ter tudo sob controle.