OBS #8: 2016 – O ano em que não fui a nenhum show!

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Ei, conheça meu novo blog de historinhas, tá bom? https://garranchinhos.wordpress.com/

 

Desde 2010 (ano em que vi Green Day e Paul McCartney) eu nunca fiquei um ano inteiro sem ir a um show. Tiveram anos em que só fui a shows pequenos (obrigada, SESC), claro.

 

Quando meus pais ainda pagavam shows para mim, eu precisava escolher muito bem a qual show eu iria. Primeiro porque era caro e não era eu quem estava trabalhando para pagar aquilo! Segundo: alguém precisaria me levar, e vocês imaginam como é São Paulo num dia de show grande…

 

Pois bem, precisei tomar escolhas – e uma dessas escolhas fez com que escolhesse Paul McCartney no lugar de Amy Winehouse, pois eu temia que ele morresse primeiro (eu o vi novamente em 2014 e Amy, minha cantora favorita, morreu no dia que completei 17 anos). Deu para ver Ringo Starr, Roger Waters e Bob Dylan, ainda bem!

 

Eu jurava que quando eu tivesse meu salário iria aos grandes shows de artistas que gosto. Eis que trabalho desde 2014 e o único grande show que fui foi o de Paul McCartney – porque é meu beatle favorito, não dá!

 

Eu acabei de perceber que esse ano não fui a nenhum show! Nem mesmo shows pequenos, nem mesmo shows gratuitos. Porém, a maior mancada que dei esse ano foi COM CERTEZA não ter ido ao Lollapalooza. Marina & The Diamonds (a.k.a. uma das minhas quatro cantoras favoritas) foi, e no mesmo dia uma das minhas bandas favoritas (TAME IMPALA!!!!!!!) também tocou. Acabei vendo os shows pela TV, chorando muito.

 

Florence and The Machine também foi sofrível de perder, mas nem se compara…

 

E devo mencionar que a Marina fez um show solo e mesmo assim perdi. Sim, arrependimento pode matar aos poucos.

 

Por isso umas das minhas resoluções para 2017 é ir a mais shows. Já garanti meu ingresso do Lolla para ver uma das minhas bandas favoritas (The Strokes). Eu cogito ver o Elton John (com o James Taylor, meu Deus!) em abril e fazer a loucura de ir até o Rock In Rio ver a Lady Gaga (uma das minhas quatro cantoras favoritas).

CENA #5: Os visual albuns que você precisa conhecer!

Visual album é o nome dado a trabalho de músicos que, em vez de lançar clipes apenas de seus singles, lançam o disco inteiro em formato de filme. Recentemente, tivemos o Purpose, de Justin Bieber, por exemplo.

Talvez essa seja uma nova tendência na música pop. Nos últimos cinco anos isso tem sido até comum. Aqui no Brasil temos o exemplo do cantor Thiago Pethit, que lançou um clipe para cada faixa do seu último disco, o Rock ‘n’ Roll Sugar Darling.

Esta lista não irá detalhar o trabalho dos dois artistas, e sim o trabalho de três mulheres, mas fica a dica para quem quiser conhecer – eu recomendo.

 

1-) Lemonade – Beyoncé

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O mais recente álbum de Beyoncé. Provavelmente você ouviu falar dele nas últimas semanas.

Divulgado pela HBO, o álbum é formado por doze clipes. Bey sempre chama atenção para seu trabalho, por ser extremamente talentosa. Porém, o que mais chamou a atenção da mídia foi um dos temas mais recorrentes nas músicas: a infidelidade masculina. Acredita-se que as músicas falam de uma suposta traição de seu marido, Jay Z. Muitos nomes já apareceram para a suposta amante, mas nada é confirmado.

O álbum conta com a participação de Jack White, Kendrick Lamar, James Blake e The Weekend.

Acho válido tratar a infidelidade da forma que a cantora fez. Há estágios como a negação, a melancolia, a volta por cima e até mesmo o perdão. Infelizmente, senti que temas como o empoderamento dos negros e das mulheres foi um pouco ofuscado.

No início do ano, a última faixa do álbum, Formation, já havia sido lançada, e gerou grande polêmica por fazer denúncia ao racismo nos Estados Unidos – principalmente por parte de policiais.

Lemonade com certeza é um dos álbuns mais relevantes dos últimos anos. Espero que ele seja valorizado como merece ser.

 

2-) Beyoncé – Beyoncé

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O álbum de 2014 da Beyoncé foi lançado de surpresa no YouTube. O álbum discute bastante o feminismo – e lembro de ver isso gerar uma discussão bem forte na época.

Parte do público, como eu, acho ótimo ter uma cantora tão evidente na mídia defendendo os direitos da mulher. Infelizmente, sabemos que não é lucrativo nos defender em um mundo comandado por homens brancos. Outra parte a criticou, por não a considerar “feminista de verdade” por ser uma mulher sensual. É triste saber que tanta gente ainda cai da armadilha do slut shaming. Uma mulher deveria ser livre para se vestir e se comportar como ela se sente confortável, sem se preocupar com outras pessoas a acusando de querer agradar homens.

Não acho que o feminismo seria uma jogada de marketing, como muita gente acusou. Como já disse, o feminismo não é lucrativo: na verdade, a palavra ainda assusta muita gente. A música ***Flawless não foi um sucesso comercial como Crazy In Love foi, por exemplo.

Além disso, muitas músicas da Beyoncé criticavam a posição em que a mulher é colocada. Por exemplo, If I Were A Boy mostra como, na maioria das vezes, a mulher não é valorizada em relacionamentos heterossexuais. Em Survivor, quando ainda integrava a Destiny’s Child, a canção mostra como não precisamos de um homem para sermos completas.

O álbum Beyoncé é melhor que o Lemonade, na minha opinião. Porém, os clipes de Lemonade têm muito mais conexão entre eles, o que considero mais coerente em um visual album.

 

3-) Electra Heart – Marina and The Diamonds

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Marina Diamandis é minha cantora favorita nessa lista – mesmo sabendo que é a Beyoncé quem tem a melhor voz. Portanto, o álbum é meu favorito da lista.

O álbum foi lançado em 2012 e, diferente dos álbuns da Beyoncé, nem todas as faixas se tornaram clipes. Porém, há uma sequência de 11 vídeos sobre a alter ego de Marina, a Electra Heart.

Electra Heart é uma menina jovem que tem medo de se apaixonar. A maioria das músicas falam sobre sexo, e fazem uma crítica ao padrão “bela, recatada e do lar” tão cobrado pela sociedade. No vídeo Su-Barbie-A, por exemplo, Marina aparece vestida com roupas da década de 50, em frente a uma casinha branca, remetendo à “esposinha ideal”. Porém, o vídeo é bem macabro, representando provavelmente o quão perigosa essa cobrança é para as mulheres.

O álbum fala principalmente sobre o feminismo e a liberdade sexual da mulher. Marina não tem medo de parecer promíscua e fala tranquilamente sobre ter relações sexuais com vários rapazes. O medo de se apaixonar e não ser correspondida existe, porém, ela nunca idealiza a figura masculina – ela fala sobre a dor de maneira sóbria, reconhecendo que o melhor seria “esquecer” essa pessoa.

 

4-) How Big, How Blue, How Beautiful – Florence And The Machine

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Na minha opinião, esse é o disco mais viciante da lista. Lançado no último ano, o álbum tem uma sonoridade bem diferente dos dois discos anteriores de Florece Welch.

Sob a atmosfera mística que sempre marcou seu trabalho, as canções falam sobre a dor, o arrependimento, a esperança e a desilusão.

Os clipes começaram a ser divulgados no início de 2015. O décimo e último, Third Eye, foi lançado apenas há duas semanas atrás. Todos os clipes estão explicitamente ligados. A sequência é clara, porém, não necessariamente cronológica. Existem muitos elementos que se repetem, dando a impressão de flashbacks – ou seriam fowardbacks? Os vídeos também parecem um tanto oníricos.

Os clipes, segundo a minha interpretação, também parecem retratar a loucura. Também sinto que em diversos momentos tentam reduzir a força de Florence durante os clipes. Ela parece em uma constante luta consigo mesma e com o mundo exterior.

Uma curiosidade: o coreógrafo do visual album é o mesmo responsável pelas representações da bailarina Maddie Ziegler em diversos clipes da cantora Sia.